Para marcar o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção de doenças mentais e suicídio, o Tribunal de Contas Estado (TCE/RN) abriu espaço para a discussão do tema “Entre telas e riscos: os impactos da hiperconectividade na saúde mental”. O evento contou com a apresentação da psicóloga Débora Sampaio e do psiquiatra Adriano Araújo, com mediação da psicóloga do TCE, Jordana Bulhões. Em sua sexta edição, a atividade é promovida pelo Núcleo de Saúde e Bem-Estar do TCE em parceria com a Escola de Contas.
“A saúde mental é um grande desafio do nosso tempo. Este encontro propõe uma reflexão sobre a vida, para um olhar com mais cuidado, vendo que por trás de cada processo existem pessoas. Todos estamos envolvidos neste dilema da tecnologia e da influência das redes sociais. É um tema complexo, envolvente, que requer reflexão, conhecimento e diálogo”, afirmou o presidente do TCE, conselheiro Carlos Thompson, na abertura. Também marcaram presença os conselheiros Gilberto Jales e George Montenegro Soares.
Logo no início, Jordana Bulhões contextualizou o tema na modernidade, destacando o avanço da tecnologia em todos os setores e o surgimento de dependências. “Somos humanos. Precisamos do outro para nos desenvolvermos de forma saudável. O mundo virtual nos fisga, alimenta o narcisismo, mas o desamparo é estruturante da nossa condição humana”, disse.
Na primeira palestra, a psicóloga Débora Sampaio foi enfática: “Nunca foi tão difícil educar. Hoje há um dispositivo na palma da mão que dá acesso a tudo.” A palestrante ressaltou a transformação da geração do brincar: de crianças correndo na rua para uma geração que acessa redes sociais, jogos, apostas, vício e pornografia via celular. “Crianças precisam de presença e de atenção. Os pais precisam dialogar com os filhos”, completou, observando que o excesso de telas pode provocar distúrbios como privação do sono, privação social e fragmentação da atenção, fatores que elevam risco de ansiedade e depressão.
O psiquiatra Adriano Araújo ressaltou que “a vida é analógica, não digital”, ao mesmo tempo em que apontou um quadro de adoecimento crescente e busca por ajuda. “Estes algoritmos foram desenhados para serem viciantes, para prenderem a atenção. Ativam no cérebro o centro do prazer; a atenção e o tempo viraram ‘moedas’ no mundo virtual”, enfatizou, destacando a necessidade de entender a tecnologia além dos dispositivos. O encontro encerrou com o lançamento do livro “Palavras que Curam”, reunindo poesias como indicações terapêuticas para diferentes situações da vida.
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